quarta-feira, 25 de março de 2009

Cultura direito de Todos!?


Dia 27 de março dia Mundial do Teatro, nos dias de hoje nós artistas e cidadãos, não sabemos se comemoramos ou protestamos sobre a real situação cultural do país. Recentemente a revista “A Semana – Isto É Dinheiro”, publicou o seguinte anuncio:
Espantoso o resultado da pesquisa realizada pelo Instituto de Cidadania.
Foram ouvidos 3.501 brasileiros de 15 a 24 anos, de seis Estados e 198 municípios, abordando temas gerais da vida, como lazer, sexualidade, trabalho e escolaridade. O estudo foi entregue ao presidente Lula.
O que mais chama a atenção é a abstinência cultural do jovem brasileiro:



23% nunca leram um livro
39% nunca foram ao cinema
62% nunca foram ao teatro
59% nunca foram a um show musical
52% nunca estiveram numa biblioteca fora da escola


Mas essa situação se tornou mais grave, e esta semana saiu outra pesquisa nacional onde mostra que existe um apartheid cultural no Brasil e poucos têm acesso à cultura, 14% dos brasileiros vão ao cinema e menos de 8% a museus e teatros.Junto a isto na ultima segunda feira (23/03/09) o ministro da cultura Juca Ferreira em entrevista coletiva criticou o atual modelo da Lei Rouanet, disse que o objetivo das mudanças que serão feitas, é permitir que o financiamento das empresas privadas às atividades culturais não se restrinja a grandes produções artísticas nem ao eixo Rio de Janeiro - São Paulo, como ocorre no modelo atual. O governo também quer acabar com a cobrança elevada dos ingressos para espetáculos culturais no país.
Dentro das mudanças e em tempos de orçamento apertado, o governo pretende lançar uma espécie de Bolsa-Cultura. De acordo com proposta do Ministério da Cultura, trata-se de um “Vale-Cultura” que vai se juntar ao tíquete-alimentação e ao vale-transporte no pacote de benefícios trabalhistas existentes no País. A medida está prevista no projeto de revisão da Lei Rouanet (Lei nº 8.313), que o Ministério da Cultura pôs ontem em consulta pública em sua página na internet por um prazo de 45 dias (http://www.cultura.gov.br/site/). Depois desse prazo, o governo acolherá ou não as sugestões e encaminhará o texto final de um projeto de lei para o Congresso.

Enquanto fatores importantes como a Cultura for vista como algo supérfluo, veremos essas cenas de violências crescendo a cada instante, um bom exemplo de como é mais inteligente e econômico investir em cultura, é se pegarmos o orçamento do governo e veremos que cada preso custa em media de R$1700,00 reais. No entanto, um professor (diretor) de teatro (ou outra forma de arte) pode ter em media em um grupo 40 alunos e custa cerca de R$1000,00 reais. E como diz o velho ditado ”Mente vazia oficina do diabo” e sendo a arte um agente transformador, essas 40 pessoas que entrarão em contato com a arte e serão envolvidas por ela. Agora se usarmos a matemática veremos:



Com a arte o governo economiza e a gente se valoriza!

quarta-feira, 18 de março de 2009

“A crise pegou o palhaço”


Um dos termos mais ouvidos nos últimos dias é estamos em “CRISE”, estamos vendo grandes potencias mundiais indo a ruínas, e o assunto se espalha a cada segundo seja no rádio, TV ou em jornais, políticos dizendo que o Brasil passara sem grandes efeitos, mas o que realmente estamos vendo, é uma grande demanda de desempregos as indústrias e o comércio sofrendo, uma grande bola de neve esta se formando... E como sempre pode piorar, num pais sem memória como o Brasil é, na quarta-feira 04/03/09, Fernando Collor com apoio do Planalto, derrota PT e é eleito presidente de comissão do Senado que aprova programa de obras do governo,O PAC que é o carro-chefe da campanha da ministra Dilma Rousseff e ficará sob o crivo do ex-presidente da República. Dezesseis anos depois do impeachment e com 59 anos, elle está de volta à cena política. Confirmada a votação, ficou feliz ao ouvir novamente a palavra "presidente" e abriu um largo sorriso. "Como é bom ganhar!", disse aos amigos. "Eu nunca mais experimentei esse sabor."Enquanto isso no mesmo dia esse palhaço que voz fala, recebe a informação de que o trabalho que vem desenvolvendo há três anos com grande êxito a uma empresa de reconhecimento nacional foi suspenso por medida de contenção de gastos devido à crise, e em seguida outros trabalhos foram cancelados com a mesma resposta. Agora estou com medo, de como e onde isso vai parar, espero poder eu e o povo brasileiro, em breve feliz e com um sorriso, poder dizer aos amigos "Como é bom Trabalhar!", "Faz tempo que não experimento esse sabor."

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A Nobre arte de "SER PALHAÇO"

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Dia 10 de dezembro dia do Palhaço!!!

Não teria data melhor para iniciar este Blog, então aproveito para falar um pouco sobre essa nobre arte...




A origem do Palhaço?

Pesquisas feitas com pinturas de cerca de 5.000 anos na China, mostram algumas figuras de acrobatas e equilibristas. A partir dessa descoberta, surge a hipótese de que o circo tenha nascido em terras chinesas. Outra evidência disso é que na época, os guerreiros utilizavam a acrobacia como forma de treinamento para dar mais agilidade e força durante as guerras.
Na Grécia, eles eram chamados de stupides e os cicirus, depois vieram as denominações, os bobos da corte, grotescos, saltimbancos, e os fools.

Na commedia dell'arte apareceram, de certa forma, resquícios da dupla de cômicos, os zanni, servos da commedia dell'arte, cuja relação se aperfeiçoará nos palhaços. A eles cabia a tarefa de provocar o maior número de cenas cômicas, por suas atitudes ambíguas e suas trapalhadas e trejeitos. Existiam dois tipos distintos de zanni: o primeiro fazia o público rir por sua astúcia, inteligência e engenhosidade. De respostas espirituosas, era arguto o suficiente para fazer intrigas, blefar e enganar os patrões. Já o segundo tipo de criado era insensato, confuso e tolo. Na prática, porém, havia uma certa "contaminação" de um pelo outro. O primeiro zanni é mais conhecido como Brighella, e o segundo como Arlecchino.

O palhaço, como conhecemos, surgiu junto com a formação do circo, por volta do ano de 1776, onde os espetáculos seguiam rígida disciplina militar, a caixa dava o ritmo e tudo corria num tempo exato. Para quebrar essa estrutura e assim valorizar a peripécia de seus artistas surge o primeiro palhaço, o recruta atrapalhado, o contraponto.


O que é o Palhaço?

Diferente dos Bozos, Ronalds Mcadonalds, animadores de festas, o palhaço ou Clown (termo inglês):
É um estado de espírito!

Para ser um bom palhaço, dizem os grandes mestres da Palhaçaria, que:
“Precisamos Saber quem somos”.

O caminho é o auto conhecimento, aceitar os seus ridículos, rir disso e oferecer generosamente ao outro. ”É preciso perder a dignidade pra poder alcançar outro grau de dignidade, onde a generosidade e a fragilidade se fazem presentes”. Contudo, para alcançar esta plenitude, é preciso estar livre das máscaras sociais que adquirimos com o passar do tempo. Um bom exemplo, são as crianças por volta de seus cinco anos - a forma como elas se comunicam com os pais e irmãos, é a mesma como se comunicam com o padeiro da esquina, amigos e outras pessoas de suas relações. Nesta fase, geralmente, elas são livres, soltas, criativas, sem terem sido contaminadas pelas sutilezas ou conveniências sociais. Inquietando o mundo com sua franqueza espontânea. Lembram -se da história da Roupa nova do Imperador? É este olhar sincero, preciso, inconformado, a desvelar não apenas a nudez do rei, mas toda uma farsa ideológica.

Por isso, para o palhaço, as crianças são professores, já que aquele é um observador da vida.

ELE está sempre pronto para captar um flagrante que para os outros passaria despercebido.

Para as Crianças então, ele é uma face de sua própia identificação, um prêmio para alma, imagem que permanece no seu mundo pelos anos afora!
A elas que começam a aprender a se relacionar com a ordem e as regras básicas da convivência em sociedade, o palhaço é um cúmplice. Ele se atrapalha, ele não sabe, ele erra. Então a criança ri porque se identifica, e ao mesmo tempo começa a exercitar seu olhar critico. Rindo ela se sente inserida no mundo das regras.

O palhaço pode significar uma porção de coisas. Para alguns, apenas um idiota pintado, para outros, um artista que faz rir... Mas ele significa muito mais que isso...

O palhaço sempre existiu! Sujeitos atrapalhados, lesos, capazes de espertezas infantis, ágeis e “songa” ao mesmo tempo. O palhaço é uma mentira. Ele é bobo esperto. Romântico, lírico e capaz das maiores vilanias. Ele pode ser cruel e delicado, ingênuo e pícaro.

O palhaço veio de um lugar onde o riso desfaz as tensões e aproxima o homem.

O palhaço é a exposição do ridículo e das fraquezas de cada um. Logo, ele é um tipo pessoal e único.

O palhaço é a mais enlouquecida expressão do cômico.

O palhaço é anárquico por natureza.

O palhaço não representa, ele é!

O que faz lembrar os bobos e os bufões da Idade Média. Não se trata de um personagem, ou seja, uma entidade externa a nós, mas da ampliação e dilatação dos aspectos ingênuos, puros e humanos, portanto "estúpidos", de nosso próprio ser. François Fratellini, membro de tradicional família de palhaços europeus, dizia: "No teatro os comediantes fazem de conta. Nós, os palhaços, fazemos as coisas de verdade."

O trabalho de criação de um palhaço é extremamente doloroso, pois confronta o artista consigo mesmo, colocando à mostra os recantos escondidos de sua pessoa; vem daí seu caráter profundamente humano.

O espanhol Alex Navarro dá alguns exemplos dessa afinidade entre a criança e o palhaço. Vejamos:

Querem ser amadas por seus pais e em geral pelo mundo inteiro. O palhaço pelo seu público.

Querem ser como os adultos e tratam de imitá-los. O palhaço faz o mesmo: deseja integrar-se e tentará parecer-se com as pessoas “adultas e normais”.
São espontâneos e não têm senso do ridículo.

Expressam suas emoções ao máximo e podem passar instantaneamente de uma para outra.

Se uma criança dessa idade, por exemplo, bate com um brinquedo em um móvel, pára um momento e olha seu pai ou sua mãe (para o palhaço, compartilhar com o público). Se seus pais riem, muito bem (êxito), isso significa que deve seguir batendo com o brinquedo; se não riem (fracasso), deve bater com mais força ou então buscar outra maneira, quem sabe bater em outro móvel ou bater no mesmo móvel com outro brinquedo. As crianças, sempre que fazem algo, olham o adulto para compartilhar e buscar sua cumplicidade. Suas atitudes depois dependerão da reação do adulto.

São tremendamente curiosos e qualquer coisa pode surpreendê-los e aluciná-los. Capacidade de assombro do palhaço.

Se lhe dão um brinquedo caríssimo podem tirá-lo da caixa, deixá-lo de lado e passar horas brincando com a caixa e o envoltório. É o mundo ao contrário do palhaço.

Os palhaços são todos iguais?

Cada Palhaço tem sua identidade. O palhaço tem suas roupas largas demais, ou curtas demais, porque estas não as pertenciam; o mesmo acontece com os seus sapatos.

Mas o figurino de um palhaço deve ser o que mais o revela!

O nariz é vermelho, pois quando choramos, ele fica vermelho. Se bebemos ou caímos, o nariz também sinaliza enrubescido.

Infindáveis são os tipos de palhaços que existem ou ainda existirão, pois são como a vida: inusitados, loucos, apaixonantes e insólitos! Mas a principio, essa espécie de artista se classifica em duas ramificações oriundas de dois tipos fundamentais:

O Branco e o Augusto.
O palhaço branco é a encarnação do patrão, o intelectual, a pessoa cerebral. Tradicionalmente, tem rosto branco, vestimenta de lantejoulas (herdada do Arlequim da commedia dell'arte), chapéu cônico e está sempre pronto a ludibriar seu parceiro em cena. Mais modernamente, ele se apresenta de smoking e gravatinha borboleta e é chamado de cabaretier. No Brasil, é conhecido por escada. Um exemplo de branco é Dedé Santana, e o Renato Aragão seria o augusto no Brasil, tony ou tony-excêntrico é o bobo, o eterno perdedor, o ingênuo de boa-fé, o emocional. Ele está sempre sujeito ao domínio do branco, mas, geralmente, supera-o, fazendo triunfar a pureza sobre a malícia, o bem sobre o mal. A relação desses dois tipos de palhaços acaba representando cabalmente a sociedade e o sistema, e isso provoca a identificação do público com o menos favorecido, o augusto. outro exemplo Stan Laurel e Oliver Hardy, mais conhecidos popularmente como o Gordo e o Magro, sim, todos eles palhaços de cara limpa, como também outros mestres de nossa história Charles Chaplin, Buster Keaton entre muitos outros...
No Brasil, além dos já citados, tivemos grandes palhaços como Arrelia, Piolin, Carequinha, Mazzaropi, Oscarito, Benjamim de Oliveira (primeiro palhaço negro do Brasil), entre outros.
Hoje temos na nova geração: Luiz Carlos Vasconcelos (palhaço XUXU - PB), Marcio Libar (palhaço CUT-CUT/RJ), Teatro de Anônimo (RJ), Eduardo Andrade (palhaço Dudu-RJ), Léo Carnevale (palhaço Chodó-RJ), Os Parlapatões (SP), Galpão (MG), Lume (Campinas –SP), Pé de Vento (Florianópolis-SC), Adelvane Néia (palhaça Margarida - Campinas –SP), As Marias da Graça (grupo de palhaças-RJ), Os Irmãos Brothers (RJ), Ieda Dantas (palhaço Dr. Giramundo-RJ), Fuzarca da Lira (RJ), Cia dos Gestos (RJ), Ana Luisa Cardoso (palhaça Margarita- RJ), As comediantes(RJ), Mônica Muller(palhaça Lili Penteado- RJ), Ângela Castro(RJ), Claudia Câmara(palhaça Julia Koko- RJ)entre outro muitos espalhados por esse enrome BRASIL...
Alem dos internacionais como Leo Bassi (Itália), Tomate (Argentina), Pepe Nuñez (Espanha), Chacovachi (Argentina), entre muitos outros por este mundo a fora que seria impossivel citar aqui...

Da região do Vale do Mogi (suldeste de São Paulo), temos o ator e palhaço Reinaldo Facchini o Palhaço Jeca de Pirassununga, Facchini precisou ir ao Rio de Janeiro para descobrir-se caipira e perceber que a riqueza cultural não é a exclusividade que a grande mídia divulga e patrocina em suas publicações. Descobriu o arcabouço valoroso de suas origens e trouxe à tona o seu palhaço, impregnado da poesia e da ingenuidade do homem da roça.

Desta forma, pretende, difundir os ensinamentos adquiridos de seus mestres de palhaçaria, fazendo de suas virtudes, e principalmente de suas imperfeições, a matéria-bruta do ridículo (risível) a tornar-se arte no exercício da palhaçaria.
O palhaço caipira “JECA”, fez sua escola junto à Trupe Circulante (Leme-SP) com Henrique Andrielli, e no Rio de Janeiro, com os Mestres: Marcio libar, Luis Carlos Vasconcelos, Juliana Jardim, Grupo Teatro de Anônimo, Grupo Valdevinos de Oliveira (Léo Carnevale, Fabiana Poppius, Fabio Freitas).

O palhaço Jeca, hoje se apresenta nos mais variados espaços por esse Brasil afora, está com o seu novo espetáculo solo “Esperando na Rodô”, que é um dos produtos resultantes de sua pesquisa

“Projeto CLOWMPIRA”.


Para saber mais sobre este projeto visite o site:




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